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Brasil doente: a saúde pública tem cura?

 Igor Carvalho da Silva.
Hospitais superlotados, falta de profissionais, precariedade de equipamentos e demora no atendimento. A população brasileira assiste diariamente ao descaso e ineficácia dos serviços da saúde pública. A mídia e os críticos começam a especular sobre as causas desse problema. Para alguns é a falta de médicos; outros, a irresponsabilidade política. Afinal, quem é mesmo o culpado?
Após anos de luta, a Carta de 88 garantiu aos cidadãos o direito à saúde. Assim, todos possuem - ao menos em teoria - acesso a serviços gratuitos dignos e eficazes. O SUS ( Sistema Único de Saúde), criado para definir e executar as diretrizes políticas de saúde, preza pela universalidade, integralidade, igualdade e direito à informação. A legislação brasileira garante, de maneira equânime, este serviço como direito universal. Quem a conhece chega a pensar que nosso país é uma maravilha.
O governo federal não precisa seguir um mínimo para seu orçamento em saúde, ao contrário dos estados e municípios. Em contrapartida, a União, que detém 70% dos recursos do tesouro, não possui metas legais para estipular gastos e metas, salvo o próprio Orçamento, o Tribunal de Contas, o Congresso Nacional e o papel - ineficaz- das agências reguladoras, ligados ao executivo federal, direta ou indiretamente. Outrossim, os gastos da União com a saúde pública vem diminuindo, deixando o ônus da responsabilidade aos que menos recebem verbas. De acordo com a OMS, em 1970, 75% dos recursos de saúde eram financiados pelo governo federal; em 2010, apenas 45%. 
Os gastos com a saúde pública apenas aumentam. A transição nutricional, demográfica, epidemiológica e tecnológica conferem à problemática mais demanda por recursos. Basta pensar que, com o aumento do poder de compra, o consumo de alimentos prejudiciais aumenta. A população envelhece, e a previdência precisa de reformas. A convivência com doenças crônico-degenerativas, o uso indevido de drogas, AIDS, tuberculose e malária preocupa-nos ainda mais. A incorporação desordenada de tecnologias por vezes sem critérios científicos ( como transplantes, cirurgias minimamente invasivas, exames bioquímicos e hematológicos) agravam sobremaneira a situação.
A cultura de consumo, incorporada desde a década de 80 na sociedade auriverde, coloca-nos em um processo de aculturação e assimilação de valores norte-americanos. Os fast-foods e outros lixos alimentares provocam uma série de consequências para o ser humano, como a obesidade e aumento de doenças cardiovasculares. Que estratégias o governo vem adotando para conscientização alimentar? ''Laissez faire, laissez passer'' : Deixai fazer, deixai passar. Afinal, somos nós que pagamos as consequências. Boa atitude do governo.
Além da insuficiência dos recursos destinados à saúde pública, a falta de condições de trabalho aprofunda a mazela. Não há equipamentos básicos nas emergências, ambulatórios, UTI´ s e postos de atenção à família! Assim, o que fazer para atender à população? Como se pode exercer a Medicina assim? Demonizam a classe médica. Corporativistas, aristocráticos e ambiciosos : estas são algumas alcunhas ao profissional brasileiro. Quem os taxam assim? O governo, ineficaz na sua política de saúde pública, recorre à importação de mão-de-obra estrangeira como mecanismo de solucionar ( ou diminuir) a suposta falta de médicos. Faltam médicos no Brasil? Como assim? Somos o país com maior número de escolas médicas no mundo de acordo com o Cremesp ( Conselho de Medicina de São Paulo)! 242 escolas. Até mesmo a China e os EUA, com mais habitantes que nosso país, não possuem este número. Os profissionais apenas distribuem-se de forma desigual, e com razão. Qual médico, a bel-prazer, decide trabalhar nos rincões do país, onde faltam condições laborais? O que falar dos baixos salários e, muitas vezes, da falta de pagamento dos mesmos? Exercer a Medicina em cidades do interior do Maranhão ou Amazonas, por exemplo, atrai os recém-formados? Não são os médicos os culpados, mas vítimas - junto com o povo - do Estado ineficiente e com políticas desiguais.
 
O problema da saúde pública no Brasil decorre da irresponsabilidade política e da cultura de corrupção, aliada ao descompromisso e ignorância de grande parte da população. Se o serviço público não é eficaz, recorre-se aos planos de saúde, cada vez mais caros e burocráticos. E os contrastes apenas aumentam. E o povo, néscio, assiste bestializado ao problema. A saúde no Brasil tem cura, e há como mudar o prognóstico ruim.
Igor Carvalho da Silva
 
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